Inversão de valores e a hipocrisia do politicamente correto.

  Faz um bom tempo que não escrevo neste blog, tive muitas ideias de postagem, escrevi muita coisa, mas não convinha transformar aquelas opiniões como públicas, escrever de cabeça quente sempre nos torna um pouco intolerantes sobre determinados assuntos, por isso dei um tempo e deixei que as coisas melhorassem e pensamentos mais construtivos tomassem o lugar das críticas que muitas vezes podem ferir alguém sem que seja necessário ou que não convenha a ninguém exceto a meu próprio eu. Mas definitivamente acho que a grande maioria das pessoas concordam que vivemos no Brasil um período irritante onde tudo deve ser pensado para não ofender o politicamente correto.
  Sou da geração que viveu os anos 90, vi muita coisa que hoje seria inviável e ofensivo para a sociedade hipócrita que nos tornamos de meados dos anos 2000 para cá. Os programas de televisão nos finais de semana eram totalmente sexistas, não que deixaram de ser hoje, mas as coisas eram muito mais explicitas, a julgar pelo quadro da banheira no programa que era apresentado pelo Gugu, onde um homem e uma mulher disputavam para pegar o maior número de sabonetes e muitas vezes acabava por mostrar demais o corpo das celebridades que participavam da brincadeira, algo em um programa de classificação livre, algo impensável para os dias atuais.
  Algo que realmente me incomoda é a classificação etária de alguns desenhos, cresci assistindo livremente Tom e Jerry, Papa-Léguas, Pica-Pau e muitos outros desenhos clássicos, há algum tempo atrás a Cartoon Network deixou de exibir os clássicos de Tom e Jerry e Papa-Léguas, sob o argumento de algumas entidades que dizem que os desenhos incitam a violência entre as crianças e que podem ser uma má influência para a formação de caráter, o Pica-Pau por sua vez teve episódios censurados e classificação etária alterada para a faixa dos 10 anos, sim sou da geração que cresceu assistindo essas animações clássicas, nunca fui de me envolver em brigas, algumas ocorreram mas nunca relacionadas aos desenhos, sem diferenciar o certo do errado e escolher opções que não prejudiquem outras pessoas, as pessoas esqueceram do conteúdo dos desenhos, não era apenas uma briga de gato e rato, um coiote perseguindo uma ave e nem uma ave que tirava proveito da situação e tinha preguiça de trabalhar, o final dos desenhos sempre tinham uma mensagem embutida que marcava as crianças para posteridade, muitas vezes Tom e Jerry compartilhavam as coisas no final do episódio, terminam se abraçando após uma briga interminável, o Papa-Léguas mostrava que planos para prejudicar o próximo acaba por prejudicar apenas a si mesmo e no Pica-Pau, quantas vezes não terminou episódios preso, prestando serviço comunitário ou se dando mal por ser esperto e tentar tirar proveito dos outros? Esses desenhos hoje repugnantes e impróprios tiveram um papel importante na formação de caráter de muita gente, a falta de perspectiva e o meio em que se vive faz cria muito mais pessoas de índole ruim do que simples desenhos "violentos".
  As músicas tinham duplo sentido e muitas eram julgadas impróprias, o que criança vê na televisão ela imita, eram músicas ruins e boas que se misturavam nos programas, da mesma forma que existia a influência do axé e suas letras que incitavam sexualidade, havia Mamonas Assassinas com sua misturas de ritmos com uma forma mais leve do duplo sentido e com algumas letras que eram uma total crítica a sociedade dos hoje distantes anos 90, havia ainda muita música de qualidade em programas totalmente vazios, havia um respeito maior entre as pessoas que com o tempo se perdeu, o gosto musical muitas vezes duvidoso é imposto pela mídia e as letras não são de duplo sentido, mas sentido único, explicito e totalmente sexual exposto da forma mais esdruxula possível. A TV Cultura de São Paulo era o canal com uma vasta programação infantil educativa com conteúdo quase totalmente nacional e que cativava as crianças, hoje sua programação conta muito mais com programas estrangeiros do que produções próprias e não prendem o público infantil como era antes.
  Aquela época podíamos ainda chamar os amigos de com apelidos que tinham referência a cor de forma não pejorativa, claro eramos repreendidos por algum adulto quando o tom era preconceituoso, mas nada como nos dias de hoje que um amigo de pele clara chamar o outro de negão ou de preto logo aparecem uma duzia de pessoas dizendo que aquilo é racismo e você deveria processar seu próprio amigo por palavras tão incorretas de serem ditas, obra da hipocrisia. O brasileiro é um povo racista, nosso racismo não tem nada de velado é explicito, quem nunca ouviu essa frase: "não tenho nada contra, desde que não chegue perto de mim...". Pois é é racismo, preconceito racial, religioso e até pela opção sexual, mas diga essa frase clichê e hipócrita e deixe sua consciência limpa afinal só é racismo quando se é direto, uma frase o torna imune, esse politicamente correto é algo tão imbecil e tão hipócrita quanto se dizer que uma Copa do Mundo não se faz com escolas e hospitais, como brasileiros devemos rever nossos conceitos, nossa cara de pau e nossa hipocrisia antes de sair corrigindo aquilo que não é preconceito e escondendo-se atrás de uma frase digna de uma cultura sem valores concretos que esconde preconceitos com o politicamente correto.

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