Greves, paralisações e o povo ali no meio.

  Esse mês de maio tem sido um tanto estranho no Brasil, protestos por todos os lados e greves de serviços essenciais que tornaram cidades um verdadeiro caos. Começo pela greve da Polícia Militar de Pernambuco onde foram expostas muitas das mazelas que assolam o país inteiro a falta de segurança, ali ficou claro que se é ruim com a PM é muito pior sem ela, assaltos, assassinatos e roubos tudo assim à luz do dia sem o menor pudor sem o menor medo de punição, afinal somos mesmo um país impune com leis sem nexo e uma justiça complicada além de lenta e muitas vezes contraditória. O que realmente chamou a atenção foram os saques, pessoas comuns que jamais roubariam com tudo normalizado, aproveitaram-se do momento para cometer delitos, nas imagens que apareceram nos noticiários o público a participar dos saques era variado, homens, mulheres, idosos e até mesmo crianças, com isso tudo façamos aquela velha pergunta, será que realmente podemos reclamar dos políticos após esse ocorrido? Na verdade eles apenas refletem o comportamento das massas, aliás são os representantes escolhidos pelo povo, o mesmo povo que usa do oportunismo e crítica o oportunismo alheio, pois é antes de criticar devemos avaliar melhor nossos atos.
  Segunda-feira 19 de maio, a conturbada cidade de São Paulo provou o quão frágil é seu sistema de transporte público com a paralisação dos motoristas e cobradores de ônibus, mas não foi algo tão simples assim, o cenário foi de pessoas desesperadas sem saber como voltar para suas casas, a paralisação foi repentina na parte da tarde e todos que dependem do transporte público rodoviário foram afetados diretamente e o metro e os trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), ficaram completamente saturados, o que gerou muita confusão e transtorno a quem já utiliza o transporte sobre trilhos que já vive lotado. Uma coisa inconcebível é a forma de como são feitas as manifestações trabalhistas, se o alvo das revindicações são os empresários que detêm a concessão do transporte público, por que prejudicar a população e não as empresas liberando as catracas, mas as coisas nem sempre são tão simples quanto parecem.
  Na terça-feira, alguns terminais de São Paulo continuavam fechados pelos grevistas e na parte da manhã da mesma forma que ocorrerá na capital, as cidades ao oeste da Região Metropolitana iniciaram um movimento similar, em Osasco e nos municípios onde as empresas Viação Osasco e Urubupungá operam, a paralisação permaneceu até a manhã de sábado, o que teve impactos inclusive no comércio da região que tem como Osasco como um grande centro de compras. Mas uma das revindicações dos grevistas no município era de grande importância para a categoria, afinal a hora de almoço e faltas com apresentação do atestado médico eram descontadas por uma das empresas, algo absurdo tendo em vista que fere os direitos dos trabalhadores.
  Passadas as paralisações fica uma pergunta no ar, isso tudo é devido a aproximação da Copa do Mundo, ou apenas uma parcela dos trabalhadores cansados das condições massacrantes de trabalho e da baixa remuneração, bom seja como for, manifestações que não prejudiquem a população como foram estas são mais do que bem vindas em uma democracia, mas como falar de democracia no Brasil, já que a mesma deveria ser poder de escolha, e como todos sabemos o voto em nosso país é obrigatório, seria isso talvez uma democracia ditatorial? Onde podemos escolher porque somos obrigados a fazer, pessoas sem interesse político e mal informadas decidam pelo nosso futuro, votando no famoso, no palhaço e trocando o voto por pequenos favores, aliás quantas leis importantes são sancionadas sem que nos consultem, referendos servem para isso, para serem usados, mas estamos longe disso tudo, para mudar o pensamento dos políticos deve o povo primeiro mudar o seu pensamento e seu comportamento, faltam poucos dias para a Copa e que após dela debates sobre política sejam mais vistos por ai, afinal podemos começar em outubro um novo Brasil.

Comentários

Postagens mais visitadas