NO CAMINHO ERRADO

  Mais um dia normal no úmido e atípico inverno paulista, uma quarta-feira se não me falha a memória, época de provas finais do primeiro semestre da faculdade. Como de costume arrumei minhas coisas com certa antecedência, costumo ter precaução com horário, coisa de quem vive em uma cidade com transito caótico e sistema de transporte público ineficiente. Ao sair de casa uma fina garoa parecem dezenas de pequenas agulhas penetrando furiosamente a pele, clima adverso porém sempre gostei de caminhar em dias assim, não demora e logo são 17:40, já estava escuro e a garoa ameaçava transformar-se em chuva, não aparentava algo torrencial, mas nunca é bom se molhar em um dia frio. Em poucos minutos felizmente o ônibus chega ao ponto.
  Como de costume trago fones nos ouvidos mas não deixo de cumprimentar o motorista e o cobrador do coletivo, afinal são das tantas pessoas que vemos diariamente e mesmo em conversas simples e rápidas criamos certa empatia. busco um lugar no meio do ônibus, embora o fundo pareça sempre mais legal, com a experiência adquirida em anos utilizando o transporte público, afirmo que estar entre os eixos garantem uma viagem mais cômoda e com menos solavancos, mas os que gostam de aventura, o fundo é o lugar certo, atualmente tenho evitado tal nostalgia.
  Conforme anunciará, a chuva toma corpo durante o trajeto, é uma precipitação leve, mas suficiente para travar o transito e escorrer pelas janelas, busco no celular músicas mais lentas, aquelas que acompanham o ritmo das águas e fazem o corpo e a mente relaxar durante o caminho e antes da prova. No meio da viagem como de costume o ônibus esvazia-se, mesmo em um dia ameno traz um alívio, sem ar-condicionado e com as janelas fechadas o ambiente fica quente e abafado, um momento de trégua também no trafego que por breves momentos tornava-se mais tranquilo, ao olhar o relógio, tudo certo, como de costume chegaria antes do início da aula.
  Quem conhece e anda pelas linhas municipais de ônibus em Osasco sabe bem como a rua Antônio Agu é travada nos horários de pico, toda linha que passa sentido Vila Yara ou para os bairros da zona sul passam por ali, uma verdadeira redundância que torna o transito ainda pior. Neste dia não foi diferente, transito extremamente parado, aproximadamente 10 minutos para percorrer a distância aproximada de 500 metros. O motorista deveria ao final da ladeira fazer a conversão a esquerda, porém em um momento de distração, ou mesmo confusão graças ao tempo perdido ali, a conversão foi feita para o lado oposto. Quase que de forma automática uma inquietação toma conta dos passageiros, a maioria como destino as instituições de ensino superior localizada na Vila Yara.
  Minha reação foi olhar no celular e conferir as horas, já que acredito que imprevistos acontecem e todos são passíveis de falhas, inclusive trabalhadores em uma rotina estafante percorrendo por horas o mesmo trajeto, a crise logo é contornada, tudo esquematizado, tiro os fones e ouço atentamente os planos do condutor e do cobrador, logo a ideia de evitar o trajeto comum me agrada e volto a tranquilidade. Uma passageira se oferece para ajudar no trajeto alternativo, atrapalhando os planos e forçando novamente a passagem pela congestionada Antônio Agu, felizmente o trafego mais leve agilizou a retomada para o destino.
  Ao final das contas, tudo correu bem, cheguei ao destino 5 minutos atrasado, o professor não havia ainda felizmente chegado na sala, essa experiência somada a mais alguns quase atrasos, fizeram para que após algumas semanas passasse a tomar o ônibus 20 minutos mais cedo, afinal, prefiro chegar adiantado a correr o risco de um atraso causado por um imprevisto. 

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